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Mulher na Ciência: conheça o trabalho de três farmacêuticas doutoras que fazem diferença


11/02/2021 14:35
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As farmacêuticas Patrícia Severino, Paula Menezes e Mairim Serafini falam de suas trajetórias na ciência

Menos de 30% dos cientistas do mundo são mulheres, segundo dados de 2018 da Organização das Nações Unidas (ONU). A fim de encorajar maior participação de meninas na ciência e celebrar os feitos de mulheres na área, há seis anos o dia 11 de fevereiro é dedicado ao movimento. A partir desse contexto a Ascom do Conselho Regional de Farmácia de Sergipe (CRF/SE) entrou em contato com três pesquisadoras do Estado para apresentar suas produções científicas e conquistas.

De acordo com o Censo da Educação Superior de 2018, as mulheres já representam 61,1% dos estudantes concluintes em cursos de graduação no país. Para Mairim Russo Serafini, professora de Farmácia da Universidade Federal de Sergipe (UFS) é possível perceber esse número expressivo de mulheres, em espaços como a graduação, mestrado e doutorado. “Além de executarem os papéis acadêmicos, as mulheres estão quebrando paradigmas, ao mostrar que mulher veio ao mundo para ser muito além do estigma de dona de casa, mãe e esposa”, revela Mairim.

Ainda assim, os dados mostram que a inserção das mulheres na ciência ainda é reduzida, “a ciência é construída com cooperação e a presença feminina ainda está tímida precisando suprir essa lacuna”, como ressalta Patrícia Severino, pesquisadora e também professora de Farmácia e do programa de pós-graduação em Biotecnologia Industrial (PBI) da Universidade Tiradentes (Unit).

A pesquisadora Patrícia também aponta que além de fazer ciência, a mulher precisa lutar para uma participação feminina plena e igualitária, com isso, destaca que políticas sociais são ferramentas fundamentais para buscar reduzir a desigualdade, “sendo necessário apoiar as carreiras de mulheres e meninas cientistas para terem acesso à educação, treinamento e empregos”.

Ciência feita por mulheres

A pesquisadora e professora Patrícia Severino conduz uma nova proposta terapêutica contra a leishmaniose, uma vez que os tratamentos comercialmente disponíveis apresentam efeitos colaterais elevados, quimiorresistência pelo parasito e elevada toxicidade. Assim o projeto busca melhorar a eficácia do tratamento e a qualidade de vida dos pacientes empregando cafeato de isopentila para administração tópica e sistêmica na área humana e veterinária.

“A tecnologia apresenta-se com preço potencialmente acessível, escalonável, e com aplicação de etapas simplificadas, tornando uma alternativa altamente promissora para empresas farmacêuticas e veterinárias para tratamento de portadores de leishmaniose mais seguro e eficaz”, afirma Patrícia.

Com o mesmo propósito de elaborar mais uma oportunidade de tratamento para os pacientes, desta vez voltado para as varizes, a pesquisadora Paula Menezes, professora do curso de Farmácia da UFS explica sua pesquisa de doutorado em que desenvolveu uma meia de compreensão diferenciada para o tratamento da doença. A fim de evitar o abandono do tratamento convencional, que utiliza uma meia compreensiva e medicamentos via oral que costumam causar muito desconforto gástrico nos pacientes.

“Desenvolvi uma meia com um fármaco presente na casca de laranja, assim o empreguei em uma nanopartícula que foi utilizada na fibra da meia compressiva. Os estudos avaliaram que o medicamento foi capaz de sair do tecido, chegar até a pele, tratar as varizes e acelerar a cicatrização das úlceras venosas sem trazer motivos de desconfortos”, detalha Paula.

Além do impacto social dessa pesquisa desenvolvida durante o doutorado, Paula coleciona prêmios que reconhecem seus esforços e a superação de desafios na área. Foi vencedora duas vezes na categoria de Artigo Científico de Pesquisador Júnior e na categoria de Inventor Independente no Prêmio João Ribeiro promovido pela Fapitec, bem como recebeu o Prêmio CAPES de Tese em 2020.

Já a pesquisadora e professora Mairim Russo afirma que sua pesquisa tem o objetivo de explorar os produtos naturais, com ênfase nas espécies nativas ou cultivadas no Brasil passíveis de aplicações biológicas dos metabólitos isolados e/ou sintetizados. O que pode colaborar para a formação de recursos humanos e principalmente em termos econômicos.

Sendo assim, os projetos desenvolvidos vão desde extração, isolamento, purificação, caracterização, avaliação de atividades biológicas, avaliação de toxicidade e desenvolvimento de produtos farmacêuticos. “Atualmente estamos trabalhando com avaliação do potencial fotoprotetor de algumas espécies naturais vegetais, sendo que algumas já apresentaram uma boa resposta na proteção contra a radiação ultravioleta quando administrada em pele de roedores, e estão em fase de estudos complementares”, adianta.

Por uma ciência igualitária

As mulheres ainda encontram desafios socioeconômicos e culturais. “Dentre esses obstáculos podemos incluir desigualdade de gênero, gravidez, responsabilidades domésticas, desigualdade salarial e menor oportunidades de trabalho”, reconhece Patrícia Severino.

Embora as mulheres ocupem um número expressivo na academia, a desigualdade de gênero é gritante quando se trata de número de artigos publicados, bolsas de produtividade, presença feminina em cargos de influência. Segundo a pesquisadora Mairim, um dos maiores desafios é a dupla jornada de trabalho, evidenciada e agravada com a pandemia.

“As mulheres além de desenvolverem seus papéis como cientistas, foram também professoras dos seus filhos, cuidadoras, donas de casa em tempo integral. São muitos desafios, mas que com certeza as tornam mais fortes e empoderadas”, diz.

Para Paula, toda pesquisa é motivada por uma identificação de um problema e a curiosidade para resolvê-lo produz grandes feitos, “por isso a cada ano percebemos o quanto a participação das mulheres têm sido fundamental para o desenvolvimento da ciência, a exemplo do sequência do genoma do coronavírus identificado em tempo recorde”, relembra. Acrescenta ainda que tornar-se a própria inspiração é também uma oportunidade durante as trajetórias dessas mulheres, para além de valorizar os grandes resultados das outras pessoas, é necessário se orgulhar de cada etapa alcançada. Para assim legitimar os espaços e estimular mais meninas na ciência.

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